O fenômeno da literatura da fantasia

Você sabe o que é literatura de fantasia? Não? Pense melhor. Talvez só não tenha ligado o nome à “pessoa” – ou, no caso, ao gênero. Certamente, você já viu aqueles cinco calhamaços que deram origem à série da HBO Game of Thrones – viu como é familiar?

Se você ainda não reconheceu o tema, a gente te conta mais sobre ele. A literatura de fantasia tem conquistado um espaço especial nas estantes dos aficionados por leitura. Não é preciso procurá-la muito nem nas livrarias, que oferecem diversas opções de sagas nessa linha, nem entre os leitores – nos vagões do metrô de São Paulo, por exemplo, os livros representantes do gênero marcam forte presença e, não à toa, aparecem constantemente nas listas dos mais clicados que o TMGL divulga quinzenalmente, sempre no topo do ranking. Engana-se, entretanto, quem aposta que é uma moda passageira: o primeiro volume da saga Harry Potter, sucesso mundial da autora J.K. Rowling e publicado, no Brasil, pela editora Rocco, ganhou vida em 1997 – isso mesmo, 18 anos atrás! – e, até hoje, tem presença forte não só na mídia, mas, também, entre os fãs da saga (muitos deles que a acompanham desde crianças).

fantasia

De lá para cá, o gênero ganhou força e, atualmente, as opções são diversas: O Senhor dos Aneis, As Crônicas de Nárnia, Jogos Vorazes, Divergente… esses são apenas alguns exemplos de um segmento da literatura que não para de crescer, tanto que algumas editoras, como Rocco e Sextante, criaram selos especiais para esses títulos – Fantástica Rocco e Saíde de Emergência do Brasil, respectivamente. Mas o grande nome do momento já não é nenhum mistério, como adiantamos lá em cima: o best-seller As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R.R. Martin, publicado pela editora Leya, já contabiliza, somando todos os volumes da série, 3,5 milhões de livros vendidos no Brasil e cerca de 25 milhões pelo mundo.

Direcionada para o público jovem adulto, a literatura de fantasia tenta mostrar, a cada história, que não tem nada de superficial. Recentemente, a professora especializada em literatura fantástica na Unesp, Karin Volobuef, afirmou ao site da revista Veja que “a literatura fantástica discute valores como amizade, lealdade e fé, com simbologias mais profundas, além de abarcar dimensões psicológicas, éticas e morais (…) Ela tem um forte substrato mítico e filosófico, que passa por diferentes linhas de pensamento, geralmente com viés crítico”.

Não foi por acaso, portanto, que o gênero conquistou leitores diversos. Débora Nunes, estudante do último ano de Direito, conta que a relação com esse tipo de história vem desde criança: “Acompanhei o ‘boom’ Harry Potter, era uma pottermaníaca que comprava o livro na pré-estreia e ficava enlouquecida com todo o universo. E adoro esse tipo de literatura até hoje, não sei se tenho uma preferida, o gênero em si é um dos preferidos”, afirma. Fã de Game of Thrones, ela garante, ainda, que os livros que originaram a série já ganharam espaço na lista dos próximos que serão lidos. Já o engenheiro da Embraer Henrique de Paiva, que leu As Crônicas de Gelo e Fogo de capa a capa, foi além: “eu gostei tanto do mundo criado pelo autor da série que decidi criar o meu próprio e, hoje, escrevo fantasias por diversão”, conta. Ele considera que esse é seu estilo favorito de livro, já que “nela podemos sair do nosso próprio mundo e mergulhar em outro, completamente novo, sem saber o que esperar e tendo como único limite a criatividade do autor”.

dragao

Se o gênero provou relevância junto a seus leitores, nas editoras não poderia ser diferente. Para entender melhor esse fenômeno, o TMGL conversou com a editora do selo Fantástica Rocco, Larissa Helena. Confira mais abaixo:

TMGL: Qual é a representatividade da literatura de fantasia no universo Rocco? Por que vocês decidiram criar o selo especial?

L.H.: Livros de fantasia sempre tiveram muita força no catálogo da Rocco. Não temos um percentual estabelecido, mas temos histórias de sucesso no gênero desde Anne Rice e os livros do Harry Potter. Isso sem falar nas nossas distopias, como Jogos Vorazes e Divergente. Ultimamente, começamos a perceber uma demanda muito grande por livros crossover – que pegassem tanto o público jovem adulto como o público adulto. Quando convidamos o Raphael Draccon e a Carolina Munhóz para fazer parte do nosso time de autores, achamos que era a ocasião perfeita para lançar o selo crossover dedicado à fantasia, à ficção científica e ao terror, que já vínhamos pensando em criar há alguns anos.

TMGL: Quais são os três títulos de vocês mais vendidos desse gênero?

L.H.: Todos os livros do selo Fantástica lançados em 2014 (Cemitérios de Dragões, O Reino das Vozes que Não se Calam e a coletânea Doctor Who: 12 doutores, 12 histórias) tiveram vendas muito boas e já tiveram reimpressões. O Reino das Vozes que Não se Calam, parceria da Carolina Munhóz com a atriz Sophia Abrahão, vendeu mais de 30 mil exemplares e se mantém no ranking dos mais vendidos de ficção nacional da Nielsen desde o lançamento.

TMGL: Quais são as apostas de vocês para a literatura de fantasia? Pretendem expandir o portfólio desse gênero?

L.H. No momento, estamos lançando o premiado Alif, o Invisível, da escritora e autora de quadrinhos G. Willow Wilson, sobre um jovem hacker vivendo em um estado de exceção no Oriente Médio. E, ainda neste ano, a Fantástica vai lançar o primeiro título da Samantha Shannon, uma autora que ficou famosa no exterior como “a nova J.K. Rowling”: com apenas 21 anos, ela conseguiu vender por uma soma altíssima a série The Bone Season, que fez com que editores no mundo inteiro corressem para comprar, e teremos o prazer de trazer essa série para os leitores no Brasil.

Autores brasileiros ganham espaço no gênero

Na entrevista acima, a editora Larissa Helena já adianta dois dos nomes brasileiros que estão despontando na literatura de fantasia: Carolina Munhóz, integrante do Potterish (um dos maiores sites sobre Harry Potter do mundo), eleita a melhor escritora pelo Prêmio Jovem Brasileiro e autora de títulos como O Inverno das Fadas (Casa da Palavra) e o recente O Reino das Vozes que Não se Calam, em parceria com a atriz Sophia Abraão (Rocco); e Raphael Draccon, conhecido principalmente pela trilogia Dragões de Éter (editora Leya) e pelo lançamento Cemitério de Dragões (Rocco).

Mas outros autores brasileiros já representam o gênero no país, como Eduardo Spohr (trilogia Filhos do Éden, da editora Verus), Fábio M. Barreto (Filhos do Fim do Mundo, editora Casa da Palavra) e André Vianco, que dá vida a diversas histórias com foco em vampiros (como Vampiros do Rio Douro e O Vampiro – Rei, ambos da editora Novo Século).

Autores consagrados em outras linhas também arriscam no ramo

O sucesso dos livros fantásticos é tanto que mesmo alguns autores que, em geral, seguem outra linha literária já chegaram a se arriscar em território desconhecido e experimentar a fantasia, como o romancista nipo-britânico Kazuo Ishiguro – veja o post sobre ele.

Por Jéssica Ciorniavei

Publicado por

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2 thoughts on “O fenômeno da literatura da fantasia”

  1. Muito bacana, João! É verdade que a fantasia nos últimos anos conquistou seu espaço na literatura e vem também conquistando milhares de pessoas ao redor do Mundo. Não era de se esperar menos de obras como Harry Potter e As Crônicas de Gelo e Fogo, afinal essas abrangem universos totalmente distintos e absolutamente fascinantes! Bela matéria! :)

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