TMGL revistas

Quando falamos em leitura, é natural ligar o tema à imagem uma pessoa com um livro nas mãos – seja ele físico ou digital. Nossas lentes, entretanto, flagraram algumas variações no metrô de SP e mostraram que também #temmaisgentelendo revistas. Embora em menor escala quando comparadas aos livros, elas são bastante cultivadas pelos usuários e estão à frente, inclusive, dos jornais tradicionais e tablóides.

Nosso ranking dos mais lidos de janeiro e fevereiro reflete isso: dois títulos – Superinteressante e Exame, ambos da Editora Abril – apareceram entre as 15 publicações mais recorrentes no metrô. Abaixo, você pode conferir alguns dos nossos cliques:

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Spoiler: Muarrek entrega o final do romance “Pais e Filhos”, de Turguêniev

Por Ubiratan Muarrek, jornalista, escritor e autor de Corrida do Membro (Editora Objetiva, 2007). Prepara para este ano o lançamento de seu segundo romance pela Rocco.

“– Meu filho, meu querido, filho adorado! Esse apelo incomum produziu efeito em Bazárov… ele virou um pouco a cabeça e, tentando de modo flagrante livrar-se do peso do torpor que o sufocava, falou:

– O que é, meu pai?”

Pais e Filhos, pág. 288

Adiantar o final de Pais e Filhos, obra-prima do escritor tusso Turguêniev, não se resume a dizer que Bazárov, o herói do livro, morre no final. Bazárov, o encantador niilista que o mundo conheceu pelo talento de Turguêniev, de fato morre no penúltimo capítulo do livro. Estudante de medicina em São Petersburgo, ele volta para a casa dos pais, na zona rural e, ao fazer a necropsia de um camponês morto de tifo, corta-se com o bisturi, contamina-se e, diante da “perplexidade indescritível” do pai, Vassíli Ivanovitch, morre três dias depois.

Mas é a descrição dessa “perplexidade indescritível” que torna Pais e Filhos um clássico de primeira grandeza da literatura universal.

O leitor não deve se deixar enganar: por um lado, é verdadeiro que Turguêniev captou como ninguém o momento político da Rússia de 1862, quando Pais e Filhos foi escrito – a libertação dos servos, pelo czar, estava no âmago das transformações de uma economia então agrária e feudal. Bazárov, com suas ideias, saiu das páginas de Turguêniev e ganhou as ruas: seu niilismo – não acreditava em autoridades, misticismos e em “nada que não se pudesse provar” – foi acusado de inspirar jovens de São Petersburgo a tocar fogo na cidade, semeando o terror.

Por outro lado, é na capacidade de narrar com tanta sutileza e força o desespero dos velhinhos camponeses “decrépitos”, nos últimos dias do filho querido, que prometera tanto na vida e, no retorno, teria uma morte tão irônica e banal, que Pais e Filhos se revela em toda sua força: na Rússia que aparece inteira na cena final, no último parágrafo do livro, em que, diante do túmulo de Bazárov, pais e filho se reencontram, em “reconciliação eterna”, diante da “vida infinita”.

Os mais lidos no metrô de São Paulo – Janeiro/Fevereiro 2015

1. As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin (Editora Leya) – 17 ocorrências.

2. A Culpa é das Estrelas, de John Green (Editora Intrínseca) – 15 ocorrências.

3. A Bíblia (Velho e Novo Testamento, em edições diversas) – 14 ocorrências.

4. O Repórter de Outro Mundo e outros de Zíbia Gaspareto (Editora Vida & Consciência) – 12 ocorrências.

5. 50 Tons de Cinza, de E. L. James (Editora Intrínseca) – 11 ocorrências.

6. O Último Olimpiano, de Rick Riordan (Editora Intrínseca) – 10 ocorrências.

7. Em Chamas, de Suzane Collins (Editora Rocco) – 9 ocorrências.

8. Eternidade por um Fio e outros de Ken Follett (Editora Arqueiro) – 8 ocorrências.

9. O Irmão Alemão, de Chico Buarque (Editora Companhia das Letras) – 7 ocorrências.

10. O Anjo Mecânico, de Cassandra Clare (Editora Galera Record) – 6 ocorrências.

11. O Iluminado e outros de Stephen King (Editora Suma de Letras Brasi) – 5 ocorrências.

12. Revistas Superinteressante (Editora Abril) e Exame (Editora Abril) – 4 ocorrências cada.

13. Fundação, de Isaac Asimov (Editora Aleph) – 3 ocorrências.

14. Prova de Fogo e outros da série Maze Runner, de James Dashner (Editora Vergara & Riba) – 2 ocorrências.

15. A Trilogia dos Espinhos, de Mark Lawrence – 1 ocorrência.

Apuração consolidada de Hamilton dos Santos e Sérgio Miguez

Parceiros do Underground

Não é só pelos metrôs de São Paulo que #temmaisgentelendo. Em Nova York, a versão americana do TMGL, o Underground New York Public Library (UNYPL), também registra os leitores que passam pelo transporte público da cidade. A iniciativa, desenvolvida por Ourit Ben-Haim, ganhou vida em 2008 e, desde então, já conquistou mais de 56 mil curtidas em sua página do Facebook.

Em seu site, Ourit explica que, quando as lentes de sua Canon captam os usuários do metrô nova-iorquino com um livro nas mãos, este é apenas o primeiro passo do trabalho. Em seguida, começa o esforço para tentar descobrir o título e o autor da publicação, informações para deixar as postagens ainda mais completas. “Às vezes, consigo o nome do livro perguntando diretamente para as pessoas o que elas estão lendo. Depois, gravo os nomes nas notas do meu iPhone”, explica. Conheça mais sobre a iniciativa: http://undergroundnewyorkpubliclibrary.com/

TMGL na pintura

Almeida Junior, Charles James Adams, Edward Hopper e outros grandes pintores têm algo em comum, além do gosto pelas telas. Eles fazem parte do grupo de artistas que, em diversos momentos da História da Arte, se inspiraram no gesto da leitura e o retrataram em suas obras. Algumas delas você pode conferir aqui nesse post. Nelas, é notável o elogio aos livros e à leitura, que são colocados como algo edificante, moralmente bom.

O gesto da leitura é retratado nas telas muito além de quatro paredes: ele também está presente em espaços públicos, trens, parques, praças etc., mostrando que #temmaisgentelendo em diversos lugares – inclusive na pintura.

O seu direito de imagem

O TMGL reconhece e respeita o direito de imagem dos leitores, mesmo em espaços públicos, onde o projeto atua. Por isso, temos uma política para publicação de fotos, em que:
– Procuramos ângulos mais distantes, que evitem o reconhecimento da pessoa fotografada;
– Borramos o rosto das pessoas que aparecem em primeiro plano nas imagens;
– No caso de as opções anteriores não serem viáveis, pediremos autorização para o leitor fotografado.

Queremos a sua autorização

Se a sua imagem lendo um livro (ou outras publicações) aparecer em nossas páginas e você não estiver de acordo com a postagem, envie um e-mail para contato@temmaisgentelendo.com que ela será imediatamente apagada. Mas se você se reconhecer em um post e concordar que ele seja mantido no ar, mande a sua autorização para este mesmo e-mail e concorra a um livro!